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Meditar é prática para a vida toda

Meditar é prática para a vida toda

Nesse tempo em que as novidades pululam qual milho de pipoca em panela quente, bem faz aquele que desiste de acompanhar as múltiplas narrativas e passa a se dedicar com afinco a algo em que acredite. Filosófica ela, né? Pois é. Foi algo parecido com esse conselho que ouvi de minha professora de meditação, Isis Pristed, quando comecei a participar de encontros com ela. Já se vão oito anos desde o ocorrido e eu sigo usando a metodologia que ela me ensina e participando, sempre que dá, dos encontros que Isis comanda no Rio, em Salvador, em São Paulo, Portugal e Inglaterra. Ela também tem uma turma na Alemanha, mas para essa ainda não fui. Durante a pandemia, participei de vários eventos virtuais que se dividiram em dois grandes grupos: dos falantes do português e dos falantes do inglês.

Depois que comecei a fazer por cinco, 15, 30 minutos diários contatos com o lado invisível da minha existência, meu estar neste mundo melhorou. As pedras pequenas, médias e gigantes seguem aparecendo no meu caminho, mas ficou mais fácil dar uns passos para trás e avaliar como retirar ou desviar delas. Os momentos felizes também ganharam mais tempero e passei a arriscar mais, aceitar com mais facilidade não estar no controle das situações, a criar menos expectativas e, por consequência, a sofrer menos decepções.

Nos encontros com Isis palavras como vulnerabilidade, controle, medo, tolerância, ritmo, limite, disciplina, compromisso e vários outras ganham novas dimensões e possibilidades. Ali, pessoas de idades variadas escutam o que ela diz sobre o visível e o invisível e, com exercícios propostos, estabelecem contato com a energia de cada um e com a do grupo. Foi assim que ela aprendeu com seu professor, o irlandês Bob Moore, com quem conviveu de 1977 até sua morte, em 2008. E desde então segue executando e ampliando o método que ele chamou de healing (cura em inglês).

Aluno assíduo de Isis há mais de 35 anos, o professor Geraldo Ramos Soares, baiano como ela, grava esses encontros desde 2017. Com a ajuda de colegas de curso e revisão da própria Isis, Geraldo usou esse material para organizar o livro "Deixa vir o que vier". Tive a alegria de colaborar na edição da obra. Com entusiasmo conto que ele será lançado no Rio de Janeiro, em Salvador e em São Paulo com a presença de Isis. No Rio, o encontro será entre 10h e 13h no sábado, 27 deste mês, no Restaurante il Pazzo Cibo & Bavande, no Jardim Botânico. Em São Paulo, os autógrafos serão assinados no bar Balcão, nos Jardins, dia 29, das 18h às 21h. O evento de Salvador será dia 14 de junho. Para saber hora, local do encontro baiano e outras formas de adquirir o livro siga a conta de instagram @healingisispristed.

Isis sempre repete "deixa vir o que vier" depois de explicar os exercícios que propõe nos encontros. As orientações dela têm um objetivo, mas nosso repertório energético pode levar a outros movimentos, e isso deve ser respeitado. A obra é indicada para quem nunca ouviu falar na metodologia do healing porque propõe abrir caminhos. Baseado no discurso oral que Isis profere nos grupos, o livro apresenta as perspectivas do healing a respeito de temas como a motivação, o compromisso, a espiritualidade, a saúde, a ancestralidade, a expressão e muitos outros. Gosto muito do que ela fala sobre meditação. Para ela, essa prática não deve ser adquiridade para nenhuma finalidade como melhorar o sono, diminuir a ansiedade, reduzir o estresse, aumentar a imunidade. Isso pode até acontecer. Mas Isis nos convida a meditar para "se alimentar de uma Fonte sagrada que tem uma vinculação com a sua alma (...) com o que você veio fazer no mundo". E por isso mesmo é um trabalho para a vida toda. Gozar da amplitude de algo para a vida toda, sem um objetivo final, é muito bom. Recomendo.

Por Carolina Chagas

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Coluna de Carolina Chagas, publicada no Jornal O Globo, em 18.05.2023


Publicado em: 02/05/2026

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